Ela entrou no bar pisando forte, cheirava a
encrenca. Não que os homens ali se importassem, era só uma constatação.
Cabelos cortados no ombro, lisos e pretos. De
franja e olhos marcados. Cintura fina, salto alto. Calças coladas, quase que
pintadas no corpo, talvez fosse, no fim.
Blusa no mesmo estilo da calça.
Passava pelas mesas decidida, pisando no coração
dos homens que se apaixonavam instantaneamente pela propaganda ambulante de
sexo que era ela.
Por Deus, que encrenca.
Dirigiu-se ao bar, pediu vodca com gelo e cruzou as
pernas, levando com esse movimento metade da sanidade do bar.
Amigos se desafiavam a chegar, apostavam o carro
que nenhum conseguiria sequer uma olhadela. Apostavam o salário. Apostavam as
próprias mulheres.
Ela sentada no bar, parecia completamente alheia a
guerra que se travava pela sua atenção.
Pediu mais vodca. Retirou da bolsa o celular,
escreveu algo e largou no balcão.
Tom cantaria seu poder de hipnose.
Checou mais uma vez o celular. Pareceu mais
satisfeita dessa vez.
Então algo chamou sua atenção na porta do bar. Uma
loira estonteante, corpo desenhado por Deus, rosto angelical.
Cabelos
alvíssimos, olhos azuis. Vinícius se ajoelharia a seus pés e faria dela sua
musa.
A morena abriu um sorriso enorme, com os dentes
mais brancos que a humanidade já havia visto. Deu um último gole na vodca,
dirigiu-se decidida até a loira, e, deu-lhe um beijo digno de cinema.
Pegou sua mão com decisão e saíram as duas a destruir
corações e esperanças pelo Bom Fim.
Foi neste dia que os homens perderam a fé no mundo.
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