Saião e blusa colada.
Pés nus e nenhum esmalte nas unhas.
Caminhava pela praia, com o sol a pino, a brisa despenteando
seus cabelos castanhos, a areia arranhando seus pés e o cheiro de mar
impregnando sua alma.
Precisava recarregar as baterias, sentir que estava viva.
Andava e pensava em tudo que tinha lhe acontecido.
Doeu, mas nesse caso a dor era bem vinda.
Chorou, mas agora estava vazia.
Correu até suas pernas arderem.
Ficou com raiva, quebrou pratos, manchou tapetes de vinho,
fumou desesperadamente.
Mas, no fim, tinha de agradecê-lo, quem sabe enviando um
e-mail.
Foi um corte rápido e preciso.
Deu de ombros.
Passou.
O riso surgia de dentro dela com facilidade agora, depois de
tantas lágrimas derrubadas.
Seu sorriso era fácil e sincero e talvez tenha sido isso que
ele tenha lhe ensinado no fim das contas, no todo da dor.A sorrir apesar das adversidades, apesar de quem lhe machuque.
O fato de ter doido não soterrava o fato de que agora ela era feliz consigo
mesma.
Era ela novamente.