Esse texto tem a benção e pré-leitura do grande Davi Coimbra. Gostem.
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Chegou em casa, largou as chaves na mesa de tampo de vidro e
ouviu aquele barulho que ela tanto amava. De metal contra vidro.
Foi andando até o chuveiro, arrancando a roupa e jogando
pelo caminho.
Saia, camisa, sapato, meia, lingerie.
Entrou embaixo do chuveiro e deixou a água quente correr
pelo corpo e relaxar seus músculos.
Andava estressada. Muita cafeína no sangue e pouco amor na
pele.
Corria o dia inteiro e final de semana descansava para
correr a outra semana, num looping eterno.
Trabalho. Café. Trabalho. Café. Paracetamol 750. Prece a
alguma divindade. Mais café. Mais trabalho. Estresse num e-mail. Café. Trabalho.
Casa. Banho. Morrer na cama. Trabalho.
Saiu do banho, vestiu o roupão, encaminhou-se para a
cozinha.
Xícara na mão, duas colheres de café, quatro de açúcar,
leite, 2 minutos no micro-ondas. Pronto.
Seus cabelos molhados e penteados pra trás molhavam as
costas do roupão.
Pegou seu café, encaminhou-se para a varanda, sentou na
poltrona e colocou os pés pra cima.
Sentiu o vento frio beijando suas pernas nuas e úmidas.
Ficou por horas ali vendo a vida passar, como uma mera
espectadora desse espetáculo, ouvindo os barulhos da cidade e sentindo o cheiro
que a rua tinha.
Cheiro de vida.