quarta-feira, 29 de agosto de 2012


Queria ter o despudor do Davi Coimbra pra escrever, pra detalhar. Queria a melancolia do Gabito Nunes pra emocionar. Queria ideias e metáforas brotando pela minha cabeça.

Pessoas que usam a criatividade para viver ou para fugir experimentam uma liberdade muito mais plena do que a assegurada pela Constituição. É uma liberdade maior, viaja-se para lugares onde ninguém pode te tocar, seja com gestos ou palavras. Viaja-se para lugares inimagináveis, sem dor, sem fome, sem nada se você quiser.

Quem cria tem na sua mente uma eterna tela branca e uma palheta com intermináveis cores. Ninguém é realmente livre até criar algo bom. Até escrever, pintar, desenhar, compor.

Não nasci sabendo escrever nem mesmo querendo ser escritora. Só nasci e talvez o choque de nascer é que tenha me feito assim. Talvez não.

Aprendi desde cedo que o papel aceita tudo, a sociedade não. Aprendi que nunca se é realmente livre, as pessoas fazem o trabalho de te censurar.

Muitas vezes, na maioria das vezes, o que escrevo não é sobre mim ou sobre o que sinto. As vezes simplesmente olho alguém na rua e penso numa história para ela ou no que ela deve estar sentindo, dependendo do que ela transparece.

A arte e até mesmo a ciência foram feitas para chocar e revolucionar, para esbofetear a sociedade e gritar:” Esse sou eu,me aceite ou me deixe em paz”.

É isso, me aceite ou me deixe criar em paz. Não estou te ferindo com as minhas palavras, não te machuco, não te insulto. Aprenda a apreciar o que é diferente e se isso for demais para sua pífia compreensão da vida, saia da frente e me dê passagem. Me deixe seguir meu caminho com meu sorriso débil nos lábios, rodopiando pela minha estrada de tijolos dourados particular.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Poste aqui seu comentário sobre meu trabalho