Queria ter o despudor do Davi Coimbra pra escrever, pra
detalhar. Queria a melancolia do Gabito Nunes pra emocionar. Queria ideias e
metáforas brotando pela minha cabeça.
Pessoas que usam a criatividade para viver ou para fugir
experimentam uma liberdade muito mais plena do que a assegurada pela
Constituição. É uma liberdade maior, viaja-se para lugares onde ninguém pode te
tocar, seja com gestos ou palavras. Viaja-se para lugares inimagináveis, sem
dor, sem fome, sem nada se você quiser.
Quem cria tem na sua mente uma eterna tela branca e uma
palheta com intermináveis cores. Ninguém é realmente livre até criar algo bom.
Até escrever, pintar, desenhar, compor.
Não nasci sabendo escrever nem mesmo querendo ser escritora.
Só nasci e talvez o choque de nascer é que tenha me feito assim. Talvez não.
Aprendi desde cedo que o papel aceita tudo, a sociedade não.
Aprendi que nunca se é realmente livre, as pessoas fazem o trabalho de te
censurar.
Muitas vezes, na maioria das vezes, o que escrevo não é
sobre mim ou sobre o que sinto. As vezes simplesmente olho alguém na rua e
penso numa história para ela ou no que ela deve estar sentindo, dependendo do
que ela transparece.
A arte e até mesmo a ciência foram feitas para chocar e
revolucionar, para esbofetear a sociedade e gritar:” Esse sou eu,me aceite ou
me deixe em paz”.
É isso, me aceite ou me deixe criar em paz. Não estou te
ferindo com as minhas palavras, não te machuco, não te insulto. Aprenda a
apreciar o que é diferente e se isso for demais para sua pífia compreensão da
vida, saia da frente e me dê passagem. Me deixe seguir meu caminho com meu
sorriso débil nos lábios, rodopiando pela minha estrada de tijolos dourados
particular.
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