quarta-feira, 29 de agosto de 2012


Esse texto tem a benção e pré-leitura do grande Davi Coimbra. Gostem.
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Chegou em casa, largou as chaves na mesa de tampo de vidro e ouviu aquele barulho que ela tanto amava. De metal contra vidro.

Foi andando até o chuveiro, arrancando a roupa e jogando pelo caminho.

Saia, camisa, sapato, meia, lingerie.

Entrou embaixo do chuveiro e deixou a água quente correr pelo corpo e relaxar seus músculos.

Andava estressada. Muita cafeína no sangue e pouco amor na pele.

Corria o dia inteiro e final de semana descansava para correr a outra semana, num looping eterno.

Trabalho. Café. Trabalho. Café. Paracetamol 750. Prece a alguma divindade. Mais café. Mais trabalho. Estresse num e-mail. Café. Trabalho. Casa. Banho. Morrer na cama. Trabalho.

Saiu do banho, vestiu o roupão, encaminhou-se para a cozinha.

Xícara na mão, duas colheres de café, quatro de açúcar, leite, 2 minutos no micro-ondas. Pronto.

Seus cabelos molhados e penteados pra trás molhavam as costas do roupão.

Pegou seu café, encaminhou-se para a varanda, sentou na poltrona e colocou os pés pra cima.

Sentiu o vento frio beijando suas pernas nuas e úmidas.

Ficou por horas ali vendo a vida passar, como uma mera espectadora desse espetáculo, ouvindo os barulhos da cidade e sentindo o cheiro que a rua tinha.

Cheiro de vida.

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