quarta-feira, 19 de setembro de 2012


Ela se sentia bem ali, era uma escritora e apesar de detestar clichês e evitá-los ao máximo nos seus textos, admitia ser o clichê mais clichê do mundo.

Passava mais tempo ali do que em casa. Saia do trabalho e ia direto pra lá, só saindo no momento em que o garçom a expulsava a ponta pés do local. Era assim todos os dias, de segunda a segunda.

Entrava, cumprimentava o barman, pedia café, às vezes vodca, dependendo do estresse do dia, e subia a escada, sentava  num lugar que desse pra observar todo o café.

E era ali que o via todo dia. Ele não era bonito, nem másculo, não era nada na verdade. Era bem comum se fosse olhar bem. Mas ele usava um all star vermelho e isso era o bastante pra saber que era gente boa.

Criminosos não usam all star vermelho, no máximo um branco, mas nunca um vermelho.

Na verdade seus pés é que eram boa gente, o resto, bom, o resto ela imaginava que era.

Até o dia em que ele apareceu de tênis de academia , surrado e sujo.

Desde aquele dia ela nem sequer olhara mais pra ele. Poderiam existir desculpas e motivos pra tal desleixo, mas ela nem sequer queria saber.
Homens, sempre assim.

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