E ela voltou pra casa. Encontrou no mesmo lugar sua xícara
de café, seus lápis mordidos e seu bloco de folhas amarelas pela metade de
tanto rabiscar coisas da vida.Encontrou a cama tradicionalemente dessarumada e algumas folhas daquele seu bloco amassadas. O perfume nos lençóis ainda era o mesmo.
Fora uma viagem longa, não ruim, só longa, cansativa
e no fim estressante demais.
Ela sorrira ao entrar em casa, colocar a mala na sala e
explorar seu antigo lar, conferir se tudo ainda era o mesmo. Notara ausência do
ar infantil e imaturo que a casa tinha, de uma vergonha, não sabia ao certo
explicar. A casa tinha amadurecido na sua ausência.
Notara o acréscimo de cores novas. Objetos novos. Um ar
totalmente novo.
Sorrira e chorara. Não sabia que a saudade do lar era tão
grande até tornar a enfiara chave na antiga fechadura.
Dessa vez tentaria tornar dali seu lar permanente. Ligou
para uma amiga, falou que tinha voltado pra casa, ela lhe respondeu que sabia
que ela iria voltar, uma hora ou outra e que estava feliz por ela. Perguntou se
ficaria pra sempre, se criaria raízes, se finalmente ficaria quieta. Ela
respondeu simplesmente que não sabia e esse “não sei” foi a melhor resposta do
mundo.
A casa e ela sorriram juntas diante da possibilidade de uma
coisa nova com elementos velhos.
Juntas, fariam dar
certo dessa vez.
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