quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Trecho do livro sem título

"Sentada num banco ela martelava impiedosamente o teclado do seu computador, seu cabelo dançava a sua volta e isso parecia irritá-la profundamente. Ele gostaria muito de saber o que ela tento pensava e transferia para aquela máquina.  Daria tudo pelos pensamentos dela, apesar de ter tido uma época onde afastar-se era o melhor e seus pensamentos não lhe interessavam ou eram confusos e complexos demais para valer seu tempo. Fora uma época mais fácil ele tinha de admitir, mas tinha de admitir também que há muito havia deixado a facilidade e o descomplicado para trás.
Neste instante ela o olhou e o sol refletiu nas lentes de seus óculos escuros, o jardim pareceu menor, as montanhas ao fundo, insignificantes. Tudo ao redor dela era insignificante. Somente o que importava eram seus olhos e seu grande desprezo por ele.
Ele se aproximou devagar, sentou-se ao lado dela e esperou. Sabia que ela não emitiria uma palavra e isso o torturava e o machucava, mas ele merecia, sabia disso. Fora um idiota e merecia cada pedaço do ódio dela.
-Sophie, eu...
Ela fechou o computador, levantou e se retirou sem nem olhar para ele.
E ela sabia que iria doer. Sabia que iria chorar novamente. O que ela não esperava era o buraco no peito, o vazio que ele havia deixado. "

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