sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Não foge de mim

Não foge de mim, só isso. Grite, brigue, quebre os copos e os pratos, chore na minha frente, se exponha pra mim, mas nunca fuja.
Por mais que o estresse me pese os ombros, por mais sobrecarregada que eu esteja, sempre serei eu, mesmo vestida de bicho papão, ainda sou eu. Ainda sou sua melhor amiga, sua companheira, amante, namorada, futura esposa. Ainda sou eu. Me desenterre de dentro desse monstro que é Porto Alegre na hora do rush.
Me liga pra dizer nada, me acorde de manhã, antes do meio dia, me mande cartas e emails sem nem porque, grita comigo na rua, faz escândalo do nosso amor, eu gosto de um pouco de escândalo, faz um teatro pra me beijar, dança comigo no meio do shopping ao som de uma música de natal qualquer, passe horas me beijando sob o sol de fevereiro no jardim da Casa de Cultura, depois de ter me levado ao dentista. Mas nunca fuja.
Me enfrente, preciso de alguém pra bater de frente constantemente, você talvez não perceba mas vivemos um constante cabo de guerra. Namorar é isso, é ver quem manda mesmo quando não se exige comando. É brigar na rua e beijar em casa. É beijar na rua e cada um ir pra sua casa. É ficar chateado se não vê o amado e ter horas que nem quer ver. É aparecer no meio da noite e ver a sogra de pijama. É virar a noite pensando e sorrindo. É pegar pelos ombros e sacudir pra ver se o parafuso volta pro lugar. É isso, e não é nada disso e é muito mais que isso.
Só não quero que se esconda, que fuja. Olhe pra mim quando chorar, isso não te torna menos homem, nem pra mim e nem pra ninguém. Quando a falta de tempo aparecer outra vez, não foge de mim, não usa isso como desculpa. Espera passar e volta. Não se refugie em outras pessoas, uma vez dói, outra quem sabe destrua.
Te amo e muito.


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